Durante muito tempo, pessoas e empresas buscaram soluções para os seus problemas a partir da compra e do acúmulo de itens. Embora o consumismo ainda tenha muito destaque no cenário atual, o futuro mostra uma cara diferente: a da economia colaborativa.

Considerada uma completa mudança de paradigma, a atuação funciona baseada no senso de comunidade e na participação em rede. O compartilhamento é a palavra de ordem dessa abordagem que, cada vez mais, ganha importância e presença na vida da sociedade.

Para não ficar desatualizado, é fundamental entender esse conceito e descobrir quais são os seus principais impactos. Por isso, continue lendo este post e saiba tudo sobre a economia compartilhada.

Afinal, o que é economia colaborativa?

A economia colaborativa também é chamada de compartilhada ou em rede e é um conceito que tem ganhado força nos últimos anos.

Ela é baseada no compartilhamento de recursos — como itens, tempo ou dinheiro —, de modo que uma comunidade aproveite bens e serviços coletivamente.

Ela está diretamente relacionada à sustentabilidade e a uma nova forma de consumo. Por causa de suas características, se opõe ao consumismo tradicional. Em vez de comprarem desenfreadamente, a economia colaborativa prevê a participação de várias pessoas para utilizar melhor um bem ou serviço.

Um exemplo bem simples são os bazares. Nesses locais, produtos antigos ou com pouco uso são repassados a um preço mais em conta, de modo a aumentar a vida útil daquele item.

O conceito evoluiu nos últimos anos e, atualmente, está cada vez mais presente. Para o futuro, a tendência é que a abordagem ganhe uma força cada vez maior.

Como surgiu a economia colaborativa?

A colaboração sempre foi um fator necessário para a sobrevivência humana. Desde os primórdios, poder contar com o outro é algo que existe na sociedade em diferentes graus. Com isso, a economia colaborativa não é um conceito exatamente inédito ou recente.

Contudo, as transformações econômicas deixaram o aspecto de lado. Desde o reforço do capitalismo, passou a haver um fortalecimento da cultura de consumo. As pessoas passaram a buscar ter e comprar coisas em diferentes áreas da vida e com valores diversos.

O crescimento populacional, por sua vez, aumentou o nível de consumo e, portanto, de geração de resíduos e de exploração de matéria-prima. Com a chegada do consumismo desenfreado, a preocupação com o meio ambiente e com a forma de consumo da sociedade aumentou nos últimos anos.

Tudo isso motivou o fortalecimento da economia colaborativa. Em 2008, em plena crise imobiliária dos Estados Unidos, o termo começou a ser usado com maior força. Embora o conceito já existisse, ele ganhou importância a partir dessa época.

Desde então, a abordagem tem ganhado força e surgido em diferentes startups e opções no mercado. Com isso, há uma tendência crescente rumo ao consumo coletivo e à integração das pessoas nesse sentido.

Quais os principais pilares da economia colaborativa?

A economia compartilhada pode ser de diferentes tipos. A de redistribuição, por exemplo, visa a transferir bem novos, seminovos ou usados pelos interessados em adquirir de um jeito em conta. Há, ainda, o sistema de produtos e serviços, em que o preço é pago pelo resultado e não pela ferramenta em si. Para completar, a economia de estilo de vida visa a favorecer o compartilhamento e a troca de tempo, dinheiro e experiências.

Em qualquer um dos casos, há princípios básicos, como a reciclagem, o reuso e o reaproveitamento — seja de materiais ou de esforços.

Em todas as situações, a abordagem é apoiada pelos seguintes pilares:

Social

O crescimento populacional acelerado faz com que mais pessoas tenham um poder de consumo elevado. Ao mesmo tempo, crises financeiras em um mercado podem afetar outros, o que cria um desequilíbrio no potencial de compra.

Outro aspecto interessante é a chegada das novas gerações. Atualmente, os indivíduos têm desenvolvido um senso de comunidade maior e buscam relacionamentos e integração, o que não é obtido pelo consumismo desenfreado e sem qualquer critério.

Para completar, a abordagem peer-to-peer ou pessoa a pessoa garante um relacionamento fortalecido e uma experiência diferente. Assim, há um grande impacto social e o aspecto é indispensável para a construção desse tipo de consumo.

Ambiental

Ao longo dos últimos anos, a preocupação com o planeta e com a disponibilidade de recursos tem aumentado. Atualmente, as pessoas compreendem que muitos recursos não são renováveis e precisam ser preservados.

No meio disso, o consumismo sem critério gera impactos negativos em duas frentes. A primeira é que a contínua exigência de compra leva a uma necessidade de explorar mais recursos. Paralelamente, o descarte aumenta o nível de poluição, especialmente a que não é tratada corretamente.

A busca por um relacionamento equilibrado com a natureza e seus recursos e pela preservação ambiental é um dos pontos-chave de apoio da economia colaborativa. Diante da preservação do ambiente, há uma ampliação da sustentabilidade sem, necessariamente, deixar de atender às necessidades.

Quando se fala em sustentabilidade e transporte urbano, por exemplo, esse tipo de economia é grande responsável pelo efeito.

Econômico

Outro pilar importante da economia em rede é o econômico. Essa questão surge tanto para os clientes quanto para as empresas. Os negócios conseguem ter maior flexibilidade e rotatividade de estoque, além de fortalecerem os relacionamentos e a fidelização.

Já os compradores economizam e, principalmente, adquirem maior valor agregado. Com isso, o uso de soluções inovadoras também está diretamente ligado à questão financeira.

Além de tudo, é algo que tem a ver com a evolução do capitalismo. Com uma crescente automação, as pessoas precisarão, cada vez mais, recorrer a novas formas de consumir e se comportar dentro da economia.

A tendência de criação de nichos de consumo se destaca e promete ser um dos fatores de maior peso em um futuro nem tão distante.

Tecnológico

Nos últimos anos, a transformação digital trouxe diversas mudanças na forma com que as tarefas são executadas. Hoje, é muito mais fácil se conectar com praticamente qualquer pessoa e em qualquer lugar do mundo.

Esse é um dos pilares da economia colaborativa. Graças a essa capacidade, tornou-se viável criar comunidades que compartilham interesses, necessidades e soluções. Ao pensar em mobilidade urbana, por exemplo, a tecnologia permite facilitar o deslocamento, inclusive do ponto de vista do transporte corporativo.

A crescente presença da tecnologia na vida as pessoas, portanto, é determinante para que a economia compartilhada se estabeleça e aumente a sua influência.

Como ela afeta a economia?

A adoção de uma abordagem compartilhada tem impactos diretos na economia, em geral. Se os hostels dominassem o mercado, por exemplo, os hotéis perderiam a função e o setor hoteleiro poderia ser prejudicado. Com isso, é comum que as pessoas fiquem apreensivas a respeito da possibilidade.

Por outro lado, a economia compartilhada pode trazer ótimos efeitos que fazem a diferença no cotidiano. Entre os principais impactos dessa abordagem, algumas se destacam.

Mudança do foco de consumo

No modelo econômico tradicional, o maior foco do consumo está em ter. Os consumidores compram e, automaticamente, se tornam donos de determinados itens. A posse, portanto, é o principal fator de ligação entre um produto anunciado e a pessoa que o adquire.

Na economia compartilhada, o foco está no uso e nos benefícios que o processo traz. Em vez de comprar um vestido novo, por exemplo, o indivíduo pode alugar um e obter o mesmo efeito.

Uma frase clássica nesse sentido é a que diz que “não preciso de uma furadeira e, sim, de um furo na parede”. Ou seja, o impacto principal é que as pessoas começam a buscar pelos efeitos e pelo valor agregado, em vez de avaliar apenas o item.

Surgimento de novas possibilidades de negócios

Por ser uma mudança de paradigma, a economia colaborativa traz novas possibilidades de negócio. Em primeiro lugar, isso significa uma ruptura com o modelo tradicional e uma nova forma de agir e de enxergar o processo. Com isso, as startups e empresas realmente inovadoras ganham força.

Além de tudo, os próprios usuários podem se beneficiar. Em plataformas que se baseiam na troca e venda de produtos, alguém pode tanto procurar o aluguel de um elemento quanto oferecer algo. Assim, surgem novas oportunidades de ganhar dinheiro e de se conectar às outras pessoas.

Exigência de adaptação de modelos tradicionais

Muitos negócios estão firmemente baseados na estrutura tradicional de compra, venda ou contratação. Com o ganho de importância da colaboração econômica, surgem desafios para que a adaptação seja realizada.

Negócios já estabelecidos precisam pensar em como se adaptar a esse mercado, tanto ao fornecer soluções quanto ao consumi-las. As empresas, inclusive, podem se beneficiar do sistema ao fazer novas contratações — mas, primeiramente, é preciso entender a questão a fundo.

Outras transformações incluem questões como tributação e isonomia, regulamentações e definições para o bom funcionamento do mercado.

Ampliação da mobilidade urbana

As grandes cidades são conhecidas por seus trânsitos caóticos. Com mais veículos na rua, é difícil obter um fluxo tranquilo e que segue corretamente. Por outro lado, a economia colaborativa pode reverter esse efeito.

Graças a essa abordagem, o transporte se torna menos individualizado e pode assumir novos contornos. Plataformas e serviços de transporte corporativo, por exemplo, podem gerar ótimos efeitos e, ainda, ajudar a diminuir o trânsito.

Embora a economia do tipo possa se dar em vários aspectos econômicos, certamente a mobilidade é um dos mais importantes. Dessa forma, os impactos se tornam positivos para toda a sociedade.

Estímulo ao consumo consciente

A transformação de mentalidade e de visão sobre o consumo é, certamente, um dos aspectos principais da economia compartilhada. Graças à mudança do foco e da relação entre compra, posse e aproveitamento de benefícios, surge uma ideia relacionada ao consumo consciente.

Em vez de adquirir por impulso ou status, existe uma abordagem muito mais consciente e reflexiva. Antes de concretizar a compra ou a contratação, é comum que haja uma atenção especial para definir se o processo é realmente necessário.

Isso ajuda a frear o consumismo desenfreado e os conceitos como obsolescência programada, que são tão persistentes na sociedade atual.

Quais as vantagens da economia compartilhada?

As mudanças causadas por essa economia podem ser extremamente positivas, especialmente quando há uma observação em relação aos pilares de sustentação. Esses pontos positivos são propulsores e prometem fazer com que ela se torne cada vez mais forte e utilizada.

Ao reconhecer os benefícios, é possível ter novos elementos para se convencer a utilizar os recursos. Entre as vantagens, estão:

Diminuição dos custos

Quando uma empresa decide adquirir uma frota para transporte corporativo, ela precisará custear a aquisição de vários veículos, o abastecimento, a documentação, a manutenção e mais. Já ao usar a economia colaborativa, como ao ter um serviço especializado, as despesas são menores e on demand.

Esse é só um exemplo de como a economia em rede ajuda a diminuir os custos envolvidos. Em vez de adquirir os itens, alugá-los ou contratar serviços são opções mais vantajosas. Dessa forma, será possível reduzir custos, inclusive na empresa.

Além disso, o surgimento do consumismo consciente melhora o direcionamento de recursos, de modo que a pessoa tende a pagar somente por aquilo que precisa.

Ajuda ao meio ambiente

A sustentabilidade é outro benefício importantíssimo da economia compartilhada. Com a criação de uma comunidade para o consumo, há uma redução das exigências quanto à exploração de matérias-primas. Diante do aluguel de uma casa ou de um item de uso pessoal, por exemplo, há uma necessidade menor de explorar recursos para produzir novos.

Além disso, haverá menos lixo produzido e, portanto, menor necessidade de lidar com o manejo de recursos. A orientação voltada para a reciclagem, reuso e ressignificação de elementos é de grande ajuda para o meio ambiente e melhora a integração entre o ser humano e a natureza.

Diferenciação de experiência

Por muito tempo, comprar foi um ato impessoal, feito entre uma empresa e um cliente com determinado interesse. Nos últimos tempos, as necessidades vêm mudando. As pessoas querem se comunicar, ser ouvidas e se relacionar com as marcas. Nesse sentido, a economia colaborativa pode ajudar.

Por trazer uma abordagem de comunidade, ela oferece todas as condições necessárias para que todos se comuniquem e se integrem. Isso gera um fortalecimento de laços e uma fidelização diferente.

Mesmo em modelos que não são peer-to-peer, como quando o relacionamento é entre uma empresa e uma plataforma, os efeitos são interessantes. A parceria se torna estratégica e a experiência, muito satisfatória.

Apoio a negócios pequenos

No modelo tradicional de consumo, os grandes players do mercado ganham total destaque em relação aos demais. Como conseguem gerar atração pelo desejo de consumir e pela oferta, angariam a maior parte das conversões.

Já na economia compartilha, os negócios de pequeno e médio porte têm maior atenção. Desde que sirvam para atender necessidades específicas com os benefícios do compartilhamento, eles conseguem aumentar a competitividade.

Fazer parte da economia compartilhada, portanto, significa ampliar o apoio a negócios de menor porte e estimulá-los a crescer e oferecer melhores resultados.

Maior atendimento às necessidades

Primeiramente, a economia colaborativa é bastante ampla e traz diversas possibilidades de serviços e produtos. Com o seu crescimento, tem sido cada vez mais fácil encontrar soluções para os diferentes níveis de dificuldade. Com isso, as necessidades são atendidas com menor dificuldade.

Para melhorar, o processo de aluguel ou contratação, normalmente, é muito mais prático que comprar. Como é preciso gastar menos e passar por uma burocracia menor, tudo se torna muito simples.

Ou seja, a economia compartilhada vem para desatar o nó que, muitas vezes, surge quando uma pessoa ou empresa busca soluções para as suas exigências.

5 empresas para se inspirar

Com o ganho de importância dessa economia em rede, é comum encontrar expoentes do mercado que aproveitam a onda. São empreendimentos que atuam com o foco em compartilhar e obter os melhores resultados.

Muitas delas começaram como startups pequenas e, hoje, são bilionárias do ramo. Com isso, vale se inspirar nessas alternativas tanto na hora de buscar alternativas quanto ao gerenciar o próprio negócio. Veja algumas possibilidades.

1. Airbnb

Quando o assunto é a economia compartilhada, um dos serviços que logo vêm à mente é o Airbnb. Essa é uma plataforma que faz a intermediação entre quem deseja alugar quartos, casas ou apartamentos e quem possui os imóveis.

O pagamento acontece pela plataforma e tanto o inquilino quanto o locatário são avaliados, de modo que a escolha seja sempre bem informada. Com alternativas de hospedagem em todo o mundo, a proposta é criar uma experiência de viagem diferente, muito mais autêntica e econômica que ficar em um hotel de grande rede.

A solução é bastante disruptiva e tem mudado a forma como as pessoas viajam e a experiência que elas possuem em vários lugares.

2. Enjoei

De origem brasileira, a plataforma Enjoei tem uma linguagem jovem e divertida e serve para quem deseja vender itens usados ou novos, mas que não serviram bem aos seus donos. A plataforma é muito diferente de outras opções, em que os anunciantes revendem produtos de indústrias diversas.

No Enjoei, o foco está em passar para frente aquilo que já não é útil para você ou que poderá ser ainda melhor para outra pessoa. Com um preço mais em conta que nas lojas tradicionais, a plataforma é a evolução dos antigos bazares.

Todo o processo é seguro e acontece dentro a plataforma, como o pagamento e cálculo de frete. Quem vende faz um dinheiro extra e quem compra economiza e tem a certeza de fazer uma boa compra.

3. Kickstarter

Quando se fala em economia em rede, a ideia de ter a colaboração de várias pessoas logo vem à mente, certo? Por isso, as plataformas de crowdfunding também entram na conta e uma que merece destaque é a Kickstarter.

O serviço é simples: os idealizadores de um projeto fazem uma apresentação da nova solução que propõem e definem um valor de interesse. Cada doação dá direito a uma recompensa, como descontos na compra e outras vantagens. Se o projeto atingir a meta, ele é financiado. Do contrário, o dinheiro retorna para os apoiadores.

Esse é um espaço totalmente ligado à economia colaborativa, onde são financiados projetos culturais, de tecnologia e até de comida. Com isso, são os próprios usuários e futuros clientes que tornam possível a chegada do produto à vida.

4. Wikipedia

Um dos sites mais famosos do mundo, a Wikipedia é conhecida por ser uma enciclopédia viva, que pode ser editada por seus usuários. Por ter um caráter que depende da participação das pessoas, o serviço faz parte da economia em rede.

A produção de conhecimento e a transmissão de informações é dependente da disponibilidade e do interesse dos próprios visitantes. São eles que elaboram as páginas com conceitos e explicações sobre diferentes temas, em várias línguas.

Para garantir a manutenção da estrutura, também são os usuários que fazem doações facultativas. Dessa forma, todos têm acesso livre ao conhecimento e podem suprir as necessidades de informação.

5. DogHero

Na hora de viajar, uma das preocupações é com quem deixar os animais de estimação. Apesar de haver os chamados hotéis caninos ou felinos, nem sempre é a solução ideal.

Ao mesmo tempo, muita gente não viaja nos feriados ou finais de semana e, com um bom espaço e experiência, deseja fazer um dinheiro extra. É baseado nessas duas premissas que o DogHero existe.

Esse serviço é uma plataforma que conecta quem quer deixar seu bichinho de estimação sob cuidados temporários e quem pode realizar os cuidados. Entre os diversos cuidados, o tutor pode escolher aquele que for mais conveniente para a sua localização e interesse, além de definir o período e os valores. Com a intermediação do serviço, há garantias e proteções importantes.

A economia colaborativa gera grandes impactos e exige uma transformação por parte da sociedade. Ao mesmo tempo, traz diversas vantagens, da redução de custos à melhoria da experiência. Portanto, vale a pena se inspirar em empresas do ramo e começar a se preparar para o futuro.

Já que essa abordagem contribui para diminuir as despesas, nada melhor do que saber como gerar outras reduções. Para tanto, baixe gratuitamente o guia definitivo com orientações para a redução de custos em PME.