Para qualquer empresa, é importante conhecer bem todos os seus custos. Somente assim será possível controlar o fluxo de caixa e gerir seu setor financeiro, de forma detalhada e precisa.

Entre esses dispêndios, está o custo por funcionário. É necessário calculá-lo da mesma forma que os custos com energia elétrica ― com manutenção dos equipamentos, combustível de transporte e assim por diante.

Lendo este post, você vai descobrir quanto custa um funcionário para sua empresa. Confira!

A importância de saber quanto custa um funcionário

O funcionário faz parte do que costumamos chamar de “recursos humanos” ou “mão de obra”. Sem ele, o funcionamento da empresa fica comprometido. Para mantê-los na empresa, é preciso pagar em dia e assumir todos os encargos trabalhistas. Só assim se evitam problemas na Justiça com processos trabalhistas.

Sabendo quanto custa um funcionário, o gestor poderá se organizar melhor para reduzir gastos, cortar desperdícios nos setores adequados, programar investimentos, promover funcionários, e considerar a quantidade ideal de colaboradores para seu negócio.

O real custo de um funcionário

O valor em dinheiro de cada profissional não se limita ao salário que ele recebe todo mês. Para uma empresa, existem gastos (benefícios, encargos, obrigações) que podem aumentar o valor do salário em até 183% ou  triplicá-lo. Esse é o resultado de uma pesquisa da Fundação Getúlio Vargas (FGV).

Somente o salário corresponde a 32% do custo de um funcionário para uma empresa, levando em conta o vínculo de 1 ano. Os 68% restantes equivalem a impostos e a atribuições aplicadas aos empregados e empregadores.

O cálculo do custo

Para calcular quanto custa um funcionário, é necessário considerar os valores diretos com sua contratação, pagos para o funcionário (salários e benefícios), e os custos indiretos, pagos ao governo (encargos sociais determinados pela legislação). Os benefícios variam de acordo com a categoria profissional.

O profissional que trabalha sob o regime CLT (Consolidação das Leis Trabalhistas) faz jus a certos direitos, como 13º salário, férias e fundo de garantia por tempo de serviço (FGTS). Além desses, a empresa pode oferecer outros benefícios, como plano de saúde e auxílio-alimentação.

Veja abaixo alguns desses custos adicionais.

Vale-transporte, auxílio-alimentação e outras obrigações coletivas

O vale-transporte é um custo extra, ou seja, além do salário de remuneração, e é usado para custear o transporte do funcionário de sua casa ao local de trabalho. Considerando o preço médio da passagem em transportes coletivos nas capitais do país, temos um preço de R$ 4,50.

Digamos que o funcionário precise, durante o dia, de um transporte para ir ao trabalho e outro para voltar. Temos um total de R$ 9 diários durante 22 dias úteis do mês (R$ 198).

O funcionário assume com 6% de seu salário para o vale-transporte. Assim, se ele recebe R$ 1.000, R$ 60 são descontados da folha de pagamento, restando R$ 138 para o patrão assumir. Quanto menor for o salário do funcionário, mais pesará esse custo.

No caso de algumas categorias, é o sindicato dos trabalhadores quem determina o valor do auxílio-alimentação em convenção coletiva. Consideremos que, nesse caso, o ticket diário seja de R$ 17. Logo, no final do mês, há um total de R$ 374 (22 x 17). O funcionário assume 20% desse total, restando para a empresa R$ 299,20.

Outras obrigações resultantes de convenções coletivas envolvem seguro de vida, plano de saúde, contribuição ao programa de qualificação. No total, essas obrigações custam em torno de R$ 70.

Encargos sociais

Ao contratar um empregador, o patrão assume 37% do valor do salário líquido com os encargos sociais, sendo que 29% equivalem à contribuição patronal (INSS). Em relação a um salário de R$ 1.000, esse valor é de R$ 290. Os 8% restantes são relativos ao fundo de garantia (FGTS), o que resulta no valor de R$ 80.

Portanto, INSS + FGTS = R$ 370 de encargos sociais.

Há ainda gastos periódicos, que também são encargos sociais, mas não são mensais como o FGTS e o INSS. É o caso do 13º salário e das férias (cada um equivale a 1 salário do funcionário, sendo que as férias têm adicional de 1/3).

Na prática, é como se o empregador precisasse assumir com 8,33% todo mês para chegar aos 100% no final de um ano (12 meses). Assim, o valor mensal do 13º salário é de R$ 83,30 e o das férias também, mas acrescido de 1/3, ou seja, um valor mensal aproximado de R$ 111,10.

Lembre-se de que 1/3 de R$ 1.000 é aproximadamente R$ 333,33. Dividindo esse valor por 12, tem-se aproximadamente R$ 27,80, que serão somados aos R$ 83,30 para calcular o gasto mensal com as férias de um funcionário.

Outros custos

empresa ainda tem custos com uniformes (por exemplo, R$ 80 por funcionário). Também devem ser consideradas estimativas, como licença-paternidade, licença-maternidade (1%) e afastamento por acidente de trabalho ou doença (1%). Devem incidir 3,5% de encargos sobre essas cobranças.

A empresa deve se preparar para esses custos e estar pronta para gastos imprevistos.

O custo total

Fazendo a soma de todos os encargos sociais e outras obrigações, um funcionário que ganha R$ 1.000 acaba tendo um custo aproximado de R$ 2.270. Tenha em vista que, no início, consideramos que esse profissional faz uso de somente um coletivo para ir para o trabalho e outro para voltar. Contudo, nas grandes cidades, muitas vezes ele depende de dois ou mais transportes para ir e voltar, o que dobra o valor do vale-transporte.

Convém lembrar também que alguns valores não são proporcionais. Por exemplo, o ticket alimentação permanece de R$ 17 mesmo que o profissional receba salário dobrado (R$ 2.000). 

Os regimes tributários e custos por funcionário

Para empresas optantes do Lucro Real ou do Lucro Presumido (faturamento superior a R$ 3,6 milhões anuais), os encargos sociais mensais por funcionário são assim divididos:

  • 13º salário: 8,33%;
  • férias: 11,11%;
  • INSS: 20% a 29%;
  • SAT (seguro por acidente de trabalho): até 3%;
  • salário-educação: 2,5%;
  • INCRA/SENAI/SESI/SEBRAE: 3,3% a 5%;
  • FGTS: 8%;
  • FGTS/multa para rescisão: 4%;
  • previdenciário sobre 13º, férias, DSR (descanso semanal remunerado): 7,93%;
  • total aproximado (priorizando os menores percentuais): 70%.

Essa tabela confirma o que mais acima foi revelado: apenas cerca de 30% do que o empregador paga equivale efetivamente ao salário do funcionário. Não foram contabilizados valores referentes a vale-transporte, auxílio-alimentação e plano de saúde.

Empresas do Simples Nacional estão livres de encargo patronal (INSS), salário-educação, SAT e contribuições ao INCRA e outras entidades similares. Eis os seus encargos sociais:

  • 13º salário: 8,33%;
  • férias: 11,11%;
  • FGTS: 8%;
  • FGTS/multa para rescisão: 4%
  • previdenciário sobre 13º, férias, DSR: 7,93%
  • total: 39,37%.

Ainda que seja um total bem mais leve, é preciso lembrar que quase 40% dos dispêndios com funcionário não constituem seu salário.

Agora que você já conhece a realidade de quanto custa um funcionário para a empresa, compartilhe este post nas suas redes sociais para que outros gestores também fiquem sabendo!